Startup tem uma capacidade fantástica de criar trabalho. É quase uma fonte renovável. Você junta dez pessoas inteligentes numa sala e, se não tomar cuidado, sai de lá com quatro novos projetos, duas squads e um reposicionamento. Tudo porque alguém disse: “eu estava pensando...”. Essa frase deveria exigir autorização do financeiro.
Ideia nova dá mais dopamina que problema velho
Produto novo é emocionante. Mercado novo é emocionante. Marca nova é emocionante. Refazer onboarding é emocionante. Sabe o que não é? Melhorar 4% a conversão daquela etapa velha. Diminuir churn. Cobrar inadimplente. Ligar para quem cancelou. Só que empresa não cresce na proporção da diversão intelectual dos fundadores.
Antes de aprovar uma “iniciativa estratégica”, eu gosto de uma pergunta pouco sofisticada: se a gente não fizer isso, o que acontece? Nada? Ótimo. Talvez não seja prioridade. “Mas pode abrir um mercado enorme.” Pode. Também posso aprender mandarim e exportar queijo para Taiwan. Possibilidade não é estratégia.
Escolher é matar coisa boa
Estratégia começa quando você aceita que escolher uma coisa significa não fazer outras dez. Essa parte é desagradável. Por isso tanta empresa não tem estratégia; tem coleção. Coleção de features, de hipóteses, de projetos e de prioridades número um.
Quando tudo é importante, ninguém precisa assumir a responsabilidade de escolher. O time fica ocupado, o calendário fica cheio e a empresa pode passar um trimestre inteiro trabalhando sem descobrir exatamente para onde foi.
Talvez sua empresa não precise de mais uma ideia. Talvez precise terminar uma. O problema é que “terminar uma” rende um slide bem menos bonito na reunião de planejamento.