Empresa não quebra no dia em que o dinheiro acaba. Esse é só o dia em que todo mundo fica sabendo. Normalmente ela começou a quebrar meses antes: contratou rápido demais, aceitou margem ruim, confundiu receita contratada com dinheiro no banco ou colocou na projeção uma venda que o comercial jurava estar “praticamente fechada”.
Praticamente fechado não paga boleto
Founder adora faturamento porque faturamento cresce e fica bonito. Agora pergunte: quanto entrou? Quanto custa entregar? Quanto sobra? Quantos meses a empresa continua viva se absolutamente nada melhorar? Essa última pergunta tem nome bonito: runway. Eu prefiro “quando começa o desespero?”.
Se você tem nove meses de caixa, não tem nove meses para resolver. Cortar custo leva tempo. Levantar capital leva tempo. Vender mais leva tempo. Demissão custa dinheiro. Renegociação custa relação. Quanto menor o caixa, menos opções ficam disponíveis.
Olhar cedo compra liberdade
A melhor hora para rever custo é quando você ainda pode escolher. A melhor hora para conversar com investidor é antes de precisar do cheque. A melhor hora para ajustar preço é quando um mês ruim não significa pânico. Gestão financeira não existe para prever o futuro com perfeição; existe para perceber quando o futuro está ficando estreito.
Faça três cenários: base, ruim e muito ruim. Não para deprimir o time, mas para saber quais alavancas existem. O que você corta? O que preserva? O que acelera? Qual indicador dispara cada decisão?
Financeiro emocionante é um gênero que eu não recomendo. A graça está justamente em descobrir o problema quando ele ainda é entediante.