Existe uma epidemia silenciosa em produto digital: o botão com estrelinhas. Ele aparece perto de uma caixa de texto, promete “gerar com IA” e imediatamente transforma qualquer feature antiga em coisa do futuro. A tecnologia é impressionante. O problema é que o usuário continua com a mesma vida de antes.
Comece pelo trabalho, não pelo modelo
A melhor pergunta para IA não é “onde conseguimos colocar um LLM?”. É “qual trabalho o usuário repete, demora para fazer, erra com frequência ou evita porque dá preguiça?”. Se existe esse trabalho, aí sim vale explorar automação, geração, classificação, busca, recomendação ou assistência. Modelo vem depois. Problema vem primeiro.
IA barata no slide pode ser cara na operação
Cada chamada tem custo. Cada resposta errada tem custo. Cada fluxo que exige revisão humana tem custo. E, quando a feature funciona bem, o uso cresce - o que é ótimo, até alguém descobrir que a margem foi embora junto. Produto com IA precisa de economia de unidade desde cedo: quanto custa servir, quanto tempo economiza, quanto melhora conversão, retenção ou ticket?
Também existe o custo invisível da confiança. Uma busca tradicional pode não achar nada e o usuário entende. Uma IA que responde com convicção uma bobagem destrói credibilidade de um jeito diferente. Por isso guardrails, avaliação, logs e fallback não são acabamento. Fazem parte do produto.
Use IA quando ela comprimir tempo, aumentar capacidade ou permitir algo que antes era inviável. Não use só porque o concorrente publicou um vídeo bonito. Se tirar as estrelinhas do botão e ninguém sentir falta, você não tem uma estratégia de IA. Tem decoração temática.